{"id":4632,"date":"2025-01-14T08:25:54","date_gmt":"2025-01-14T14:25:54","guid":{"rendered":"https:\/\/falacomigoms.com.br\/?p=4632"},"modified":"2025-01-14T08:28:30","modified_gmt":"2025-01-14T14:28:30","slug":"no-cerrado-animais-a-beira-da-extincao-sofrem-o-impacto-das-estradas-e-desmatamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/falacomigoms.com.br\/?p=4632","title":{"rendered":"No Cerrado, animais \u00e0 beira da extin\u00e7\u00e3o sofrem o impacto das estradas e desmatamento"},"content":{"rendered":"\n<p>A cena se repete em estradas e vicinais que cortam o cora\u00e7\u00e3o do Brasil. Ao longo dos caminhos que ligam o Centro-Oeste do pa\u00eds, corpos de animais (dos mais variados tipos e tamanhos) estirados, v\u00edtimas de colis\u00f5es com ve\u00edculos. Os acidentes rodovi\u00e1rios est\u00e3o entre as principais causas da perda da nossa fauna nativa. Apesar disso, ainda existem poucas informa\u00e7\u00f5es sobre a rela\u00e7\u00e3o entre as estradas e as popula\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies.<\/p>\n\n\n\n<p>Um artigo recente, publicado na revista cient\u00edfica Animal Conservation, busca diminuir essa lacuna de conhecimento, voltando-se para um dos mais relevantes e afetados biomas brasileiros: o Cerrado. Desenvolvido por pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo, a investiga\u00e7\u00e3o observou os impactos da proximidade de rodovias, e tamb\u00e9m a qualidade e conectividade dos habitats, sobre 12 esp\u00e9cies de mam\u00edferos e suas popula\u00e7\u00f5es locais. A pesquisa foi realizada, entre 2018 e 2019, no entorno de duas rodovias, a MS-040 e a BR-267, \u00e1rea de intensa atividade agr\u00edcola no Mato Grosso do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as esp\u00e9cies analisadas, cinco est\u00e3o na lista de mam\u00edferos amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio): tamandu\u00e1-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), anta (Tapirus terrestris), lobo-guar\u00e1 (Chrysocyon brachyurus), tatu-canastra (Priodontes maximus) e queixada (Tayassu pecari). Confira, a seguir, alguns dos principais achados da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para avaliar as mudan\u00e7as nas popula\u00e7\u00f5es de animais, os pesquisadores utilizaram imagens de armadilhas fotogr\u00e1ficas (cameras trap) instaladas em por\u00e7\u00f5es de vegeta\u00e7\u00e3o nativa ao redor das rodovias. Foram consideradas \u00e1reas retangulares entre 5 e 10 km das bordas de cada lado das estradas e com um comprimento 45 a 60 km dessas vias.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de modelos ecol\u00f3gicos e computacionais, foi poss\u00edvel estimar a probabilidade de detec\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos de cada esp\u00e9cie e o tamanho das popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o estudo, a maioria (10) das esp\u00e9cies de mam\u00edferos apresentaram uma varia\u00e7\u00e3o no n\u00famero de indiv\u00edduos de suas popula\u00e7\u00f5es, referida como abund\u00e2ncia, relacionada \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da qualidade e conectividade dos habitats. Apenas as popula\u00e7\u00f5es locais de anta e tamandu\u00e1-mirim n\u00e3o foram afetadas por essas vari\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>A vegeta\u00e7\u00e3o nativa, composta por \u00e1reas florestais e de campos, diz respeito \u00e0 qualidade do habitat, j\u00e1 a conectividade corresponde \u00e0 dist\u00e2ncia entre os trechos dessa vegeta\u00e7\u00e3o. O Cerrado \u00e9 um dos biomas mais atingidos pelo desmatamento e por mudan\u00e7as no uso do solo, sobretudo com atividades agr\u00edcolas. De acordo com dados de 2024 do sistema do MapBiomas, o desmatamento no Cerrado aumentou 67,7% nos \u00faltimos cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando analisados os indicadores da abund\u00e2ncia das popula\u00e7\u00f5es de mam\u00edferos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 proximidade com as estradas, os resultados surpreenderam a equipe de cientistas. Apenas 3 (25%) das esp\u00e9cies de animais estudadas demonstraram mudan\u00e7as significativas associadas ao n\u00famero de indiv\u00edduos: tamandu\u00e1-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), capivara (Hydrochoerus hydrochaerys) e cachorro-do-mato (Cerdocyon thous).<\/p>\n\n\n\n<p>A hip\u00f3tese dos pesquisadores \u00e9 que seis esp\u00e9cies inclu\u00eddas seriam afetadas por esse fator, considerando dados anteriores de mortalidade por atropelamento em estradas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cEnquanto duas dessas esp\u00e9cies (tamandu\u00e1-bandeira e capivara) apresentaram menor abund\u00e2ncia perto de estradas, a terceira (cachorro-do-mato) apresentou a resposta oposta\u201d, <\/em>relatam no artigo os autores da pesquisa<em>. \u201cAs caracter\u00edsticas de hist\u00f3ria de vida das esp\u00e9cies, o comportamento individual e o impacto das estradas e do tr\u00e1fego sobre as popula\u00e7\u00f5es ao longo do tempo podem explicar essas respostas idiossincr\u00e1ticas\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo \u00e9 assinado pelo bi\u00f3logo Vinicius Alberici como primeiro autor, sob orienta\u00e7\u00e3o do professor Adriano Garcia Chiarello, da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras de Ribeir\u00e3o Preto da USP.<\/p>\n\n\n\n<p>Chiarello aponta que medidas de conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies aplicadas \u00e0 circula\u00e7\u00e3o entre fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa no entorno de estradas s\u00e3o essenciais para proteger as esp\u00e9cies da fauna, especialmente \u00e0quelas amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.<em> \u201cAlgumas esp\u00e9cies, entre elas esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o como o tamandu\u00e1-bandeira, se beneficiariam de medidas voltadas especificamente para a mitiga\u00e7\u00e3o dos impactos das estradas sobre suas popula\u00e7\u00f5es, como a redu\u00e7\u00e3o da velocidade e o cercamento de alguns trechos associados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de passagens de fauna\u201d<\/em>, explica o professor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A cena se repete em estradas e vicinais que cortam o cora\u00e7\u00e3o do Brasil. 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